segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Afinal

Onde estão as escadas?
Onde estão as velhas escadas que desci há dias atrás?
Acho que tenho que desinventar tudo que ainda não criei, preciso de alguma forma retirar a máscara do que eu ainda não sei, preciso reinventar tudo o que me fez, pois me sinto grande, grande demais aqui nesse meu trono, que já não sou mais capaz de lembrar do sereno da manhã, da água em meu capuz, o que antes era escuridão e talvez o medo da luz, agora é o que mais me seduz.
Se eu soubesse que podia sair sem trancar a porta, eu teria saído mais vezes, teria sentido o asfalto raspando em minha pele e toda essa sujeira em minha roupa novamente. E o que realmente importa quando a ultima moeda já não vale a pena ser guardada no cofre?
Tantas coisas guardadas, tantas coisas que insistimos em guardar, quando na verdade foram feitas para serem livres, libertas, a solta por aí, para podermos sentar mais uma vez em volta da fogueira e vê las brilhar, junto ao som jogado ao vento, a luz do momento, e ao que já não tem mais caminho certo a seguir, apenas passa... passa por ali.
E o que temos que fazer tem que ser sempre certo? E o destino é mesmo incerto?
Já não há limitações, mas ainda há muita coisa presa em nossos corações, mas se ainda faz sentido, então deixa, deixa como está, pois se é assim, até o mesmo vai mudar, mas só quero te ver por aqui, e se o destino é incerto, eu quero que você tenha um destino e que me encontre para contar.
E eu queria meus sonhos poder gravar, pra um dia poder mostrar esse anjo com quem sonhei, as escadas das quais eu falei, as invenções que criei, e todas as vezes que me desinventei só para ter histórias para te contar

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